Eu não espero que ninguém entenda a minha cabeça ou os meus sentimentos, porque esta é uma tarefa árdua que nem eu, que me conheço e convivo comigo mesma há 26 anos, consegui ainda fazer. Então, não espero que não me julguem pelas minhas idéias descabidas, não espero que entendam os meus sentimentos contraditórios, não espero que aceitem minha existência paradoxal, não espero que leiam meus pensamentos. Mas eu queria.
Queria que uma pessoa surgisse na minha vida, e que esta pessoa lesse os meus pensamentos. Pra entender todos os meus “quero mas não quero”, pra deslizar mais fácil minha vida adentro, pra saber como me levar. Queria que esta pessoa aceitasse minha existência paradoxal, pra não levar a mal os meus “oito ou oitenta”, pra compreender minhas indecisões, pra não deixar que a minha lua em gêmeos comprometesse sua visão de mim. Queria que esta pessoa entendesse meus sentimentos contraditórios, pra não se ofender quando eu disser que não quero vê-lo porque quero ficar em casa sozinha, mas ligar de 5 em 5 minutos dizendo que estou com saudades e que não vejo a hora de nos reencontrarmos... Queria que esta pessoa não me julgasse pelas minhas idéias descabidas, pra tirar suas próprias conclusões a meu respeito, pra me conhecer no meu dia a dia, pra me ver sem as máscaras que eu costumo adotar por essa vida de meu Deus...
Algumas vezes penso que conheci essa pessoa... Mas a vida é como a vida é, e quando eu digo que o momento era errado, digo do fundo do coração, sem falsos equívocos, sem tentar me consolar por não ter sido boa o suficiente, sem tentar me convencer de que ex-mulher e filha são assuntos mais importantes do que um affair de academia. Tudo isso eu já deixei para trás. Tudo na vida são circunstâncias, que falam por si só. E quando não existem as circunstancias propícias, tudo não passa de lamentações.
E as circunstancias eram as menos propícias possíveis. E eu entendi. Perdoar não perdoei, porque minha natureza demasiadamente humana não me permite ser tão benevolente. E algumas vezes me pergunto se não é isso que falta, que eu o perdoe, que eu perdoe o fato de ele ter me convencido de que éramos o melhor um para o outro, que eu perdoe o fato de ele ter mudado de idéia quanto a dividir vitórias e conquistas comigo.
Mas as vezes fico pensando porque é que eu insisto em ressuscitar este fantasma... Todas as vezes que eu não recebo o que quero, todas as vezes em que me decepciono, todas as vezes em que a realidade se apresenta cruel e longe demais das minhas fantasias, tal como uma psicótica, refugio-me na grande ilusão e delírio chamados Juliano...
Alguém me faça uma lobotomia...
Escrito por Lucky Girl às 22h49
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