Lucky Life


Uma coisa engraçado sobre nós, seres humanos, é a nossa ilusória idéia de que viveremos para sempre. Claro, sabemos que um dia a vida vai acabar; mas é incrível como evitamos entrar em contato com esta verdade. Com a única certeza que temos em nossas vidas.

            Achamos que sempre teremos tempo para viver o que não vivemos hoje, para fazer o que não fizemos até agora. Adiamos nossos planos, deixamos para depois o ato de tomar decisões difíceis, de encerrar relações, de fazer as pazes, de dizer que estamos tristes ou apaixonados. Deixamos pessoas especiais passarem por nós e sumirem de nossas vidas, sempre pensando que teremos o amanhã para nos dar conta dos erros e corrermos atrás do prejuízo.

            Evitamos, o tempo todo, enfrentar a única verdade que existe desde que o mundo é mundo: que o tempo passa, que a idade chega, que as rugas são inevitáveis, e que o dia em que deixaremos este mundo também chegará um dia. Se tudo der certo, morreremos com idade, dormindo, para não sentirmos dor. Mas nem sempre é assim. Ás vezes acidentes acontecem; algumas pessoas adoecem e partem ainda muito jovens. Outras têm um descontentamento tamanho com a própria vida que tomam a iniciativa espontânea de abandonar esta existência.

            Combatemos o tempo como se ele nos fosse um inimigo. Usamos cosméticos rejuvenescedores cada vez mais cedo. Mulheres não envelhecem, ficam loiras. O número de homens que pintam os cabelos quando estes começam a ficar grisalhos também é cada vez maior. Homens e mulheres correndo atrás do tempo perdido, mais do que por uma questão estética, por uma questão de simples sobrevivência. Que espaço o mundo tem para os velhos?

            Crescemos e nos tornamos adulto com esta certeza: a de que viveremos para sempre, que a morte nunca chegará e que podemos fazer o que quisermos hoje, pois sempre haverá o dia de amanhã para consertar nossas burradas, que sempre haverá tempo para nos arrependermos, que sempre haverá um amanhã, ou um depois de amanhã, para sermos felizes. Isso é mentira.

            Outro dia estava assistindo um filme com a minha irmã, a respeito do qual ela precisava fazer um trabalho para a faculdade. “Aproveite o dia” era a moral da história. Peguei-me a pensar sobre o significado destas três palavras. Aproveitar o dia é uma coisa difícil. Aproveitar o dia não significa que tenhamos de ser irresponsáveis na busca incansável pelo prazer. Não significa que as ações não impliquem em reações e que não tenhamos de assumir as conseqüências de nossas atitudes de forma responsável. Mas este pensamento, esta filosofia de vida ensina que às vezes o melhor momento de nossas vidas é o hoje.

A cada dia, um novo mundo nasce. A cada dia, as esperanças se renovam, milhares de pessoas nascem e milhares delas morrem. A cada dia pessoas se encontram, se reencontram e se afastam. A cada dia amizades são feitas, outras desfeitas. O dia de ontem já passou e acabou, não há nada que possamos fazer a respeito. O amanhã ainda não chegou, e por isso não temos outra alternativa a não ser esperar; e enquanto esperamos, vivemos o dia de hoje.

Aproveite o dia. Aproveite cada dia de sua vida como se fosse o primeiro e o último; muitas vezes o é. Aproveite cada dia de sua vida, procure apenas se recordar do ontem e sonhar com o amanhã. Aproveite cada dia da sua vida como se você nunca houvesse tido um outro dia. Como se nunca houvesse vivido antes. Faça tudo o que acha que deve fazer exatamente agora.

            Este é o momento. 



Escrito por Lucky Girl às 13h12
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De repente me aparece essa pessoa... Assim, como quem não quer nada... Uma pessoa que já chamava a minha atenção em fotos quando com ele eu me deparava:

“Quem é esse cara que ta em todas as fotos?”

“Ah, vc vai conhecer, ele é uma figura...”

Figura é pouco, o cara é um barato... E insistente, já que me chamava pra sair há mais de dois meses. E eu, desconfiada, pé atrás que só eu, sempre reticente...

“Ih, já vi tudo... Já ficou com todas...”

E realmente acho que ficou mesmo. Mas quem sou eu para julgar? Quem sou eu para apitar o que fazem ou o que deixam de fazer? Eu, que cada hora penso uma coisa? Que cada hora quero uma coisa diferente?

Resolvi tirar onda... Resolvi dar brecha... Resolvi atiçar, e como toda boa escorpiana sei que faço isso muito bem, obrigada.

“E aí, quando vamos sair?”

“Um dia desses, quem sabe...”

Mas era só ele se afastar um pouco e lá eu ia,

“Nossa, acho que sonhei com você hoje”

“Sonho bom ou sonho mau?”

“Aí vc já ta querendo que eu me lembre de muita coisa”...

Bem assim, desse meu jeito de quem se acha, quando eu quero ser assim. E eu sei que sou boa nisso, afinal, são anos de prática na arte de fingir não me importar com os outros. Dois meses de conversa e convites constantes pelo msn, chegou a hora... E como toda hora sempre chega eu estava assim, em casa, numa tarde chuvosa e irritadiça, com vontade de ir ao cinema...

“Vamos no cinema hoje?”

“Leu meus pensamentos”

“E onde vc quer ir?”

“Essa é fácil, tem um cinema do lado da minha casa”.

E ele saiu de Santo André e veio até aqui... E fomos ao cinema. E algo, que não sei o que era, me obrigava a deitar a cabeça no ombro dele... Uma vontade há tempos reprimida, uma vontade que não tinha vazão a muito tempo. Uma vontade de pegar a mãe dele e fazer cafuné na minha cabeça, uma vontade de guardar aquele perfume nas minhas narinas... E quando vi, ele me fazia cafuné, minha cabeça criou vida própria e se encostou no ombro dele. E, pela primeira vez em anos, assisti a um filme de mãos dadas...

Depois fomos na casa de um amigo em comum. A mãe do amigo é dessas tias saidinhas, que não tem vergonha de perguntar e nem receio de ser inconveniente.

“Ta namorando com ela, é?”

“To querendo, tia... Mas ela escolhe demais... Tsc, tsc, tsc”...

Como é que me conhece tanto? Olho para a boca dele e tenho certeza de que o beijo é bom, daqueles que encaixam... Daqueles beijos que se sabem beijar antes de qualquer coisa...

Ele me leva em casa e quando o trânsito pára, vem na minha direção com o sorriso no rosto. Eu sinto uma pontada na barriga, um frio no estômago... O beijo é aquele mesmo, de duas linhas acima... E quando ele encosta o carro na porta do meu prédio, me puxa com força e me dá mais um beijo... E eu gosto...

Entro em casa, mensagem no celular, ele já está com saudades. E mais tarde ele me liga, a saudade ta aumentando. Eu durmo e sonho com ele... E acordo feliz, lembranças do dia anterior a toda na cabeça, vontade daquele beijo de novo, daquele perfume de novo, daquele cafuné de novo.

E no dia seguinte a mensagem é de dez pras seis da manha, hora em que ele acorda. E logo vem a pergunta,

“Quero te ver hoje, posso?”

“Pode... Claro que pode... Que pergunta...”

É cada uma...



Escrito por Lucky Girl às 17h43
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Ultimamente ando um pouco irritada. E detesto quando fico assim, porque conheço meu gênio e sei bem que acabo descontando nas pessoas. Afe, as vezes sou insuportável.

Mas a verdade é que até agora não consegui entender direito os motivos da minha irritação. Acho que é um misto de várias coisas... Cansaço - porque não tenho final de semana há 1 mes já - mais desejos - nunca tive tanta vontade de sumir do mapa, de pegar uma mochila e sair pelo mundo, conhecer vinte países em um mês - misturado com um estado popinha de ser - não adianta, não tenho conseguido comer direito, acho que dei uma engordadinha básica - somado a uma boa dose de solidão.

Solidão... Acho que é sobre isso que queria falar hoje... Porque é fato que tenho me sentido muito só. E minha solidão não pode ser medida e nem expressa em palavras, pois não é aquela solidão de falta de amigos, programas ou coisas legais. É uma solidão intrínseca, parece que uma parte do meu coração se perdeu e está num outro lugar, distante léguas de mim...

Eu sempre tive essa vontade, de conhecer um ser tipo xerox autenticado de mim mesma. Uma pessoa que tivesse os mesmos objetivos de vida que eu, que quisesse mais ou menos as mesmas coisas, que esperasse da vida coisas como eu espero, que desejasse que a vida fosse como eu desejo. Tirando a parte "Cinderela" de mim que existe nisso tudo, sempre acreditei que existisse uma pessoa assim no mundo.

Mas de repente... Puxa, páro prá pensar no ritmo que minha vida tá tomando, nos desejos desgovernados que ando tendo, cada hora querendo um cara diferente, e quando tenho, vejo que não era nada daquilo... Ao mesmo tempo desejando um amor maior, maior que eu... Uma pessoa que me motivasse a ser mais feliz, mais produtiva, mais dedicada, mais magra... E de repente vejo que, salvo uma ou outra coisa, não preciso de ninguém que me motive essas coisas, por que eu mesma tenho me motivado...

Fico pensando em mais de uma sessão que tive com minha ilustríssima, em que ela me apontava o quanto eu me encontrava aprisionada pelo olhar do outro... Esperando sempre que os outros fizessem por mim coisas que eu não conseguia, que os outros me desses força prá ser aquilo que eu não conseguia ser por mim só. Hoje percebo que estou em um estado diferente de desenvolvimento... Porque a opinião dos outros me importa, sim. Mas não mais do que a minha própria.

E tenho consciencia dos meus esforços constantes prá fazer por mim aquilo que espero dos outros. Tenho encarado até a minha dificuldade de emagrecer por esta ótica. Porque a minha motivação para ser magra sempre foi o olhar do outro, que não me aprovava, que não me julgava boa o suficiente, que me criticava. E hoje, olhando o outro lado da moeda: O QUANTO É REALMENTE IMPORTANTE PARA MIM, SER MAGRA? Se eu acho tantas pessoas gordinhas bonitas, se eu chego a me interessar por elas, se chego a sentir tesão por um homem obeso... O quanto me incomodo com minha própria gordura?

Me incomodo sim... Mas não o suficiente para me privar de coisas gostosas da vida e me restringir apenas ao franguinho e salada nosso de cada dia...

Comecei na solidão e acabei na comida... Acho que to precisando ir prá praia...



Escrito por Lucky Girl às 15h46
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