De repente me aparece essa pessoa... Assim, como quem não quer nada... Uma pessoa que já chamava a minha atenção em fotos quando com ele eu me deparava:
“Quem é esse cara que ta em todas as fotos?”
“Ah, vc vai conhecer, ele é uma figura...”
Figura é pouco, o cara é um barato... E insistente, já que me chamava pra sair há mais de dois meses. E eu, desconfiada, pé atrás que só eu, sempre reticente...
“Ih, já vi tudo... Já ficou com todas...”
E realmente acho que ficou mesmo. Mas quem sou eu para julgar? Quem sou eu para apitar o que fazem ou o que deixam de fazer? Eu, que cada hora penso uma coisa? Que cada hora quero uma coisa diferente?
Resolvi tirar onda... Resolvi dar brecha... Resolvi atiçar, e como toda boa escorpiana sei que faço isso muito bem, obrigada.
“E aí, quando vamos sair?”
“Um dia desses, quem sabe...”
Mas era só ele se afastar um pouco e lá eu ia,
“Nossa, acho que sonhei com você hoje”
“Sonho bom ou sonho mau?”
“Aí vc já ta querendo que eu me lembre de muita coisa”...
Bem assim, desse meu jeito de quem se acha, quando eu quero ser assim. E eu sei que sou boa nisso, afinal, são anos de prática na arte de fingir não me importar com os outros. Dois meses de conversa e convites constantes pelo msn, chegou a hora... E como toda hora sempre chega eu estava assim, em casa, numa tarde chuvosa e irritadiça, com vontade de ir ao cinema...
“Vamos no cinema hoje?”
“Leu meus pensamentos”
“E onde vc quer ir?”
“Essa é fácil, tem um cinema do lado da minha casa”.
E ele saiu de Santo André e veio até aqui... E fomos ao cinema. E algo, que não sei o que era, me obrigava a deitar a cabeça no ombro dele... Uma vontade há tempos reprimida, uma vontade que não tinha vazão a muito tempo. Uma vontade de pegar a mãe dele e fazer cafuné na minha cabeça, uma vontade de guardar aquele perfume nas minhas narinas... E quando vi, ele me fazia cafuné, minha cabeça criou vida própria e se encostou no ombro dele. E, pela primeira vez em anos, assisti a um filme de mãos dadas...
Depois fomos na casa de um amigo em comum. A mãe do amigo é dessas tias saidinhas, que não tem vergonha de perguntar e nem receio de ser inconveniente.
“Ta namorando com ela, é?”
“To querendo, tia... Mas ela escolhe demais... Tsc, tsc, tsc”...
Como é que me conhece tanto? Olho para a boca dele e tenho certeza de que o beijo é bom, daqueles que encaixam... Daqueles beijos que se sabem beijar antes de qualquer coisa...
Ele me leva em casa e quando o trânsito pára, vem na minha direção com o sorriso no rosto. Eu sinto uma pontada na barriga, um frio no estômago... O beijo é aquele mesmo, de duas linhas acima... E quando ele encosta o carro na porta do meu prédio, me puxa com força e me dá mais um beijo... E eu gosto...
Entro em casa, mensagem no celular, ele já está com saudades. E mais tarde ele me liga, a saudade ta aumentando. Eu durmo e sonho com ele... E acordo feliz, lembranças do dia anterior a toda na cabeça, vontade daquele beijo de novo, daquele perfume de novo, daquele cafuné de novo.
E no dia seguinte a mensagem é de dez pras seis da manha, hora em que ele acorda. E logo vem a pergunta,
“Quero te ver hoje, posso?”
“Pode... Claro que pode... Que pergunta...”
É cada uma...
Escrito por Lucky Girl às 17h43
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