Lucky Life


Meu Coração

Difícil compreender o que se passa em meu coração hoje em dia. Houve um dia em que achei que apenas minha cabeça e minha mente sabiam das coisas. E de repente dei de cara com um estranho do qual eu nada sabia, e que, inexplicavelmente, sabia tudo de mim: meu coração.

 

Ele sempre esteve aqui, e de uma forma ou de outra sempre se fez notar: era ele quem chorava baixinho à noite, quando eu me via perdida em meus pensamentos, era ele quem me consolava, quando minha mente não era capaz de compreender o que se passava aqui dentro, era ele quem me acalentava quando, por mais que eu tentasse, não conseguia entender racionalmente quem eu era, e o que verdadeiramente queria.

 

De vez em quando realmente tomava as rédeas de tudo em suas mãos, e me conduzia na direção certa. Mas o certo nem sempre é o mais fácil, e quando eu me angustiava por ver-me dominada por emoções e sensações desconhecidas, mais uma vez apelava para minha cabeça, esquecendo-me de meu peito. Ele então se calava, ressentido pela falta de atenção e consideração. Mas nunca me abandonou.

 

Não me lembro exatamente quando se deu nosso primeiro encontro. Só sei que de repente sua voz ficou mais forte, mais clara, mais sonora. Ao invés de pensar tanto, comecei a sentir. No início foi muito difícil, pois era uma situação extremamente nova. E a partir do momento em que comecei a me dar conta daquilo que eu sentia, me vi obrigada a me posicionar diante de meus sentimentos. E não foi nada fácil, pois comecei a me dar conta de algumas coisas a meu respeito das quais não gostei nem um pouco.

 

Comecei a perceber que eu era extremamente suscetível a opiniões alheias. Que o que os outros pensavam a meu respeito era-me muito mais importante do que o que eu pensava de mim mesma. Que em minha eterna luta para ser amada pelos outros, acabava muitas vezes passando por cima de meus sentimentos. Que a forma como eu me enxergava era extremamente negativa, sempre muito auto-crítica, sempre extremamente exigente comigo mesma, sempre descontente com minhas conquistas, se acaso fossem menores do que eu esperava.

 

É muito difícil dizer não, principalmente para aqueles que amamos. Mas comecei a perceber que, depois deste movimento ter começado, tornou-se cada vez mais difícil dizer não a mim mesma. Pois a cada vez que negava meu próprio desejo, o reconhecimento que recebia do outro não  mais me satisfazia tanto.

 

E comecei a perceber que, afinal, dizer não é uma necessidade. E que, dependendo da forma como o não é dito, ele não magoa, não ofende e não agride. Aprendi a dizer não sem gritá-lo. E este foi um passo fundamental no meu caminho de amadurecimento e aprendizado sobre mim mesma.

 

Mas as vezes se torna tão difícil entender o que me diz meu coração... E assim eu sigo, buscando-o em cada pedacinho de mim mesma, em cada fragmento aparentemente desorganizado. Quem sabe, um dia, ele e eu seremos uma só coisa. E neste dia, finalmente, atenderei pelo meu nome.

 

Reconhecerei a mim mesma em minha imagem refletida no espelho.

Escrito por Lucky Girl às 16h57
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Reinício? Não! Início!!

O blog começou ontem, mas foi só hoje que comecei minha mais nova dieta. Sem objetivos radicais e nem inalcançáveis: tudo o que eu quero é voltar a entrar nas minhas roupinhas. Sim, desde que abandonei o blog dei uma engordada absurda. Em suma, ainda não me pesei, mas suponho estar mais ou menos com o mesmo peso de algum tempo atrás... Lá pelos 68 quilos.

 

Detesto pensar no fato de que estou começando mais uma dieta. Então não vou me referir a esta iniciativa dessa forma. Primeiramente porque não se começa dieta em sexta-feira. E segundo que não estou encarando esta atitude como uma “dieta de emagrecimento”, e sim como uma “recuperação de auto-estima”.  Eu explico.

 

Muita coisa mudou desde que vocês ouviram falar de mim pela última vez... E para aqueles que não me conhecem, vão me conhecer agora como verdadeiramente me sinto. Já disse, não sou mais F.Mel, e talvez essa mudança de referencial seja exatamente o ponto de partida de Lucky Girl.

 

Por muito tempo na minha vida acreditei que seria feliz somente no dia em que fosse magra. Mas esta opinião tinha em si um furo gigantesco: ser magra pode ser algo extremamente relativo. Principalmente quando se trata de uma pessoa que sofre de distorção da imagem corporal. Eu já havia sido “magra” aos olhos de outras pessoas algumas vezes na minha vida, mas nunca aos meus olhos. Ai invés de olhar para meu conjunto, fixava meus atentos e críticos olhos à aquela dobrinha irritante na barriga, à ligeira flacidez no antebraço, aos furinhos de celulite na coxa. E nunca estava satisfeita com o que via.

 

Nem quero entrar no âmbito da questão de porque eu era assim. Não cola mais culpar minha mãe pelos meus problemas alimentares, e nem meu pai pela minha sensação de nunca ser boa o suficiente. O fato é que, depois de um longo tempo – e aqui os longos 8 anos de terapia fizeram diferença – me dei conta de que as bolas de chumbo amarradas nos meus calcanhares haviam sido colocadas ali por mim mesma.

 

Pode ter sido o fato de eu ter me encantado com um homem muito gordo (e quando digo muito gordo, aqui digo sem nenhuma ilusão de distorção do corpo dele... Ele deve pesar seus 120 quilos, no mínimo) que me chamou a atenção para a percepção de que pessoas gordas podem ser felizes, podem ser interessantes, podem ser atraentes e ter um beijo bom demais. Sim, gordo tem libido! Perceber isso já foi uma grande atitude de minha parte. Afinal, o fato de ele ser gordo não havia impedido que eu me “pseudo-apaixonasse” por ele. O fato de ele ser gordo não havia impedido que eu desejasse sua companhia. Eu, que sou uma pessoa legal. Pelo visto, muito mais legal com os outros do que comigo mesma.

 

Ter me dado conta de que eu poderia , mesmo gorda, ter atraído pessoas legais se tivesse me sentido bem comigo mesma foi de uma dor incrível. Sim, durante muito tempo eu me privei disso. Achei que ninguém me acharia bonita, interessante, ou teria vontade de estar ao meu lado porque eu era gorda. E me apresentava ao mundo desta forma: uma pessoa sempre incomodada com o próprio corpo, sempre desinteressante e cheia de encucações.

 

De uma dor incrível, mas também de um alívio imensurável. Afinal, toda a moeda tem seus dois lados. E se, por um lado, terei que lidar com o fato de que passei bons anos da minha adolescência e inicio da idade adulta amarrando bolas de chumbos nos meus próprios calcanhares, por outro penso... que se fui eu quem pus, também posso eu tirar.

 

Por isso, quem se acostumou com minhas observações diárias sobre a comida, dieta ou exercícios rígidos, esqueça. Nada disso vai estar aqui. Bem... Talvez uma observação ou duas, já que ninguém é de ferro. Mas pretendo abordar aqui não o meu processo de perda de peso... E sim de ganho de auto-estima, desamarrando, uma a uma, todas as bolas de chumbo que sistematicamente amarrei a mim mesma por anos e anos...

Escrito por Lucky Girl às 18h48
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Saudades

Saudades... palavra engraçada, fico pensando de onde veio. Seja de onde for, seja em que língua for... Todo mundo sente ou já sentiu saudade. Saudade é aquilo que dói, aperta fundo no peito, machuca a alma e faz o coração bater até mais devagar... Num ritmo paralelo... Num ritmo de saudades,

A gente pode ter saudades de quem a gente conhece muito bem, de quem a gente mal sabe quem é direito, e de coisas que a gente nunca viveu antes. A esse tipo de saudades, dá-se o nome de nostalgia. E quem é que nunca sentiu nostalgia? Nostalgia é aquela saudade de um lugar que você nunca conheceu, saudade de sentir coisas que nunca sentiu, saudade de viver coisas que nunca viveu. Saudades de ser uma pessoa que nunca se foi.

Nada melhor do que matar uma saudade! Ainda mais quando é a saudade de uma pessoa especial... Nada melhor do que aqueles momentos que precedem o encontro com uma pessoa que deixou saudade... Aquele frio no estômago e aqueles pensamentos... "Será que está igual?", "qual será a reação que teremos ao nos encontrar?", "o que será que vou sentir"? E quando vocês se encontram, parece até que o tempo não passou... A saudade vai embora e o coração fica quentinho... tomado por uma felicidade indescritível... que dura até a próxima separação.'

E é esse tipo de saudades que eu venho sentindo. Saudades de uma pessoa que eu conheci e com a qual convivi durante um mês inteiro... Uma pessoa que me chamou a atenção em meio a multidão de rostos novos... Uma pessoa que canta e encanta, e que quando me olha, me faz sentir como uma crinça, como uma menina que se enamora de alguém pela primeira vez.

Uma pessoa que conheci de uma forma muito diferente... Com a qual convivi diariamente, 24 horas por dia sem nem saber quem direito o nome. Presenciei seu mau humor ao acordar, dividi seus cigarros pós refeição e ri de seu jeito engraçado de falar. E quando o mês acabou e a vida voltou ao normal, essa pessoa se aproximou de mim da forma mais impensável possível e se confessou apaixonada por mim. E nós ouvimos uma música juntos, que se repetiu no CD player do carro por 20 minutos, meia hora. E nós nos olhamos nos olhos, do jeito que só fazem duas pessoas que querem muito estar juntas. E nós nos beijamos... e descobrimos que sabíamos nos beijar desde aquela primeira conversa, desde o primeiro cigarro dividido.

E no dia seguinte ele viajou... está do outro lado do planeta, vivendo seu sonho, perseguindo seu próprio caminho. Ele está longe, mas nos falamos todos os dias... Ele diz que volta... não se sabe quando. Ele diz que me quer... E eu penso que talvez pela primeira vez na vida esteja me permitindo viver um sonho, viver algo que poderia muito bem ter sido um dos contos de fadas que minha mão me contava, antes de dormir.

- E o que eu faço com a saudade que to sentindo de você?

- Guarda ela todinha prá mim...

Ahhhhh... Saudade... essa palavra engraçada...



Escrito por Lucky Girl às 00h52
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Olá a todos!

Pronto. Cá estou Eu. Pra quem sentiu saudades, mando um beijo. Prá quem não sentiu, mando dois.

Passei muito tempo longe de casa, mas o bom filho sempre à casa torna, e eu voltei. E voltei diferente, voltei expandida, voltei filósofa, voltei mulher. Voltei meio machucada pelas idas e vindas das topadas da vida, mas voltei inteira. Fui F. Mel e voltei Lucky Girl.

A sorte, aqui, trata-se apenas de estado de espírito... Que eu tento alcançar a cada dia através do otimismo. Se nossas vidas fossem um filme, certamente o momento atual não seria a cena final.

Se um copo está pela metade, dizer que ele está "meio cheio" ou "meio vazio" depende única e exclusivamente da visão de quem observa. Entre fato e fenômeno existe uma diferença brutal, e acho que uma das minhas missões neste mundo é viver atrás deste buraco. Do buraco existente entre o Ser e o Estar.

Saudações a todos que por aqui pintarem, e obrigado àqueles que nunca deixaram de pensar em mim.

Sobre o outro blog... Ele foi. E este SERÁ.



Escrito por Lucky Girl às 15h43
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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos, reflexiva ao extremo...
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