Lucky Life


Brisa...

 

Nos êxtases de meus pensamentos, olho além e percebo que minha solidão me consola. Mais além do que meus olhos podem ver, todos os caminhos me parecem prováveis.

 

A vida é observada lentamente, um passo a mais, um passo a menos, e o objetivo de tudo é o mais simples, mais viável, mais comum: estar aqui, em toda a minha plenitude.

 

De corpo e alma aceito o que o vento me traz; um toque, um paladar, uma história ou o fim dela. Tudo o que vem com o Sopro tem em mim o seu lugar, e o céu me parece tão facilmente tangível.

 

O tempo passa devagar e implacável, mas o mais distante canto dos pássaros consegue chegar aos meus ouvidos... Tudo tão perto e ao mesmo tempo tão longe de minhas mãos. Um eterno ronronar ao pé do ouvido, lento, suave, profundo.

 

Os caminhos são infinitos, imprevisíveis e incalculáveis. Me lanço ao mar e começo a remar.

 



Escrito por Lucky Girl às 03h02
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Sabem, ultimamente eu ando mais calma. Talvez seja a idade. Talvez seja a meditação. Ou talvez sejam os oito longos anos de terapia que, de uma hora para a outra, começou a fazer efeito. O fato é que, de repente, as coisas não costumam mais me afetar como afetavam antes.

 

Houve um tempo em que eu desejei ardentemente que isso me acontecesse. Eu costumava chamar esse ar “blasè” diante dos acontecimentos de “serenidade”. Manter a calma e a tolerância diante de qualquer situação. Até continuo achando que seja isso mesmo, serenidade... Mas ao mesmo tempo em que fico aliviada em perceber que eu não mais arranco fora todos os meus cabelos quando algo não acontece da forma que eu espero, às vezes tenho saudades do desespero.

 

Saudades do desespero? Que coisa mais irracional... Mas há algo de apaixonante em estar desesperada. Há algo de profundamente passional em acreditar que, caso as coisas não corram da forma esperada, você vai ter um ataque, pular pela janela, morrer de desgosto. Com o tempo você aprende que as coisas não dependem sempre de você ou da sua vontade. E que quando não dependem de você, se você fizer o melhor que pode e não adiantar, paciência é o único remédio.

 

Acho que o maior barato do desespero é você acreditar piamente que precisa de que algo externo aconteça para se sentir bem. Mas com as experiências você vai vendo que não pode depender de algo externo para ser feliz. Então, quando as coisas “de fora” não colaboram, você ainda conta com as coisas “de dentro” para segurar a barra.

 

E você aprende que nada é por acaso, e nem nada é definitivo. Por mais que seja absolutamente impossível pensar nisso quando você leva um fora de um carinha ou quando se dá mal no trabalho, em alguma parte do seu ser esta informação existe. Que você vai sofrer horrores, mas vai sobreviver.

 

Acho que ando sentindo falta de depositar os requisitos para ser feliz nas coisas “de fora”. Porque ter que contar com as “de dentro” é uma responsabilidade imensa. É uma responsabilidade imensa saber que depende de você ser feliz, que isso não é uma coisa que você possa negociar com uma outra pessoa, que possa comprar na esquina como se fosse um maço de cigarros, que possa implorar pra alguém como se fosse um chiclete, que possa esperar de alguém como se fosse um convite para jantar. Que ser feliz consigo mesma é, ao mesmo tempo, a tarefa mais fácil e mais difícil que existe na vida.

 

Claro que tudo isso não aconteceu de uma hora para a outra, como talvez eu possa querer aparentar, disfarçando as frustrações que eu tive na vida, camuflando meus erros e maquiando falsos acertos que eu possa ter cometido. É muito sofrido este processo, de se tornar uma pessoa serena. E algumas vezes chego a confundir essa tal serenidade com falta de crença de que as coisas possam ser boas. Como se fosse aquele calo que se forma no pé quando se joga capoeira há algum tempo. Na verdade está sendo lesado... Mas de tanto doer no mesmo ponto, a região endureceu e ficou insensível.

 

Será que a serenidade na verdade é um sinônimo para desesperança? Nada mais te surpreende, nada mais te abala, nada mais te desespera. Não importa quanta dor esteja presente, você vai continuar a ser você, vai continuar a tocar a sua vida, vai continuar saindo para jantar com suas amigas, vai continuar viajando para a praia nos finais de semana.

 

Você vai continuar a dar o melhor de si... E o que tiver que ser, será.



Escrito por Lucky Girl às 11h21
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Sempre que um relacionamento chega ao fim, as pessoas envolvidas repetem a torto e a direito que desejam continuar sendo amigas; que não querem perder contato, que desejam sinceramente continuar fazendo parte um da vida do outro, encaixados em uma nova categoria: a da amizade. Venho me questionando sobre as verdadeiras possibilidades de uma amizade verdadeira surgir de um término de namoro. E admito ainda não ter chegado a uma conclusão sobre quão possível é isso.

 

O que ocorre é que quando um relacionamento termina, geralmente uma das duas partes sai contrariada. Esse papo de “terminamos em comum acordo” é apenas e tão somente isso: papo. Claro, algumas vezes ambos estão descontentes e acabam concordando que o melhor que se tem a fazer é encerrar o relacionamento. Mas na grande maioria das vezes, o namoro acaba em sociedade; um entra com o pé e o outro com o traseiro. E cada uma das duas situações possui suas peculiaridades; quem rejeita e quem é rejeitado. Examinemos ambas as situações.

 

Quando você é quem toma a iniciativa de romper um relacionamento, é muito comum que precise de uma distância da ex-pessoa. Isso porque, além de ser o responsável pelo término, o que supõe que esteja em suas mãos a manutenção da condição de rompimento, fica difícil conviver com o ex de forma intensa no início. Uma série de projeções que haviam sido feitas tem de ser reintrojetadas, como se você houvesse apostado muitas fichas em um jogo de roleta e tivesse perdido; você precisa se reabastecer de suas próprias fichas, de suas energias, até sentir-se completo novamente. E fazer isso mantendo um contato freqüente com o ex fica difícil.

 

Além disso, assim que se rompe um namoro, fica-se naquele clima de recém-solteiro: você só consegue pensar que está livre, que não namora mais, e é bem capaz de deslumbrar-se com esta nova qualidade. Geralmente seus assuntos irão referir-se às novas experiências que está tendo, sobre a forma como vem se sentindo, sobre os programas que vem fazendo. E muito provavelmente seu ex, sentido pelo término indesejado, não estará muito interessado em saber como estão sendo suas novas experiências.

 

Se estiver totalmente convicto de que não é mais essa a relação que você deseja, que não corre nenhum risco de ter uma recaída, o medo de magoar o ex também pode ser um dos fatores que podem gerar ou manter a distância inicial. Você pode não querer passar pela situação de ter de reafirmar várias vezes que não quer voltar, que deseja continuar sozinho e que está mais feliz assim.   

 

E se você é quem é terminado, a situação piora. Você pode até morrer de vontade de encontrar a outra pessoa, de saber como ela está, de avaliar quais são suas chances de reconquistar o ex. Mas se a outra pessoa estiver certa sobre a decisão tomada, esta proximidade passa a ser masoquismo. Você deseja ardentemente encontrar o ex, mas quando o encontra, não recebe aquilo que faria com que você se sentisse satisfeito. Você anseia por um telefonema, mas quando este se dá, a frieza ou distância impressa na voz do outro aniquila suas expectativas de retorno do namoro. Você precisa saber o que o outro anda fazendo, mas se fica sabendo que ele está muito bem, obrigada, sem você, sente-se a última pessoa do universo e tem vontade de pular pela janela.

 

A amizade entre duas pessoas não pode ser algo forçado; você não pode e nem deve exigir que uma pessoa queira ser seu amigo. Muitas vezes este desejo de “ser amigo” pode até representar uma tentativa camuflada de negar o término e a separação, de não se distanciar totalmente. Se foi você quem terminou, talvez ainda esteja inseguro, com medo de se arrepender; a amizade surge como uma forma de manter a pessoa por perto, de não se distanciar demais ao ponto de não conseguir voltar atrás se desejar. E se você foi terminado, talvez esteja tentando se convencer de que qualquer contato com a pessoa que o rejeitou seja melhor do que ficar definitivamente sem ela. Mas muito cuidado para não se conformar em receber menos do que deseja. Se você continua apaixonado, é bem difícil que se sinta satisfeito em ter apenas a amizade da outra pessoa.

 

Amigos não sentem ciúmes de amigos; ficam felizes se eles estão felizes, independentemente de que esta felicidade seja decorrente de um romance que acaba de começar. Amigos não são possessivos em relação aos outros. Amigos não cobram um telefonema todos os dias, e nem cobram sair juntos todos os finais de semana. Amigos não sentem desejo por outros amigos – ou pelo menos não deveriam.

 

Cuidado para não cair no conto de “vamos continuar amigos”. Vocês não eram amigos, e sim namorados. Não têm como continuar sendo algo que nunca foram. O distanciamento é necessário para a desvinculação. E apenas desvinculado é que se consegue realmente avaliar se a decisão foi a correta ou não. A amizade vem apenas em um segundo momento, quando cada um dos ex passa a ser novamente uma pessoa inteira, quando todas as mágoas tiverem sido superadas, quando todas as expectativas tiverem sido reintrojetadas, quando todo o sentimento houver terminado.

 

Tudo nesta vida tem seu tempo, cada coisa tem sua ocasião... Até a amizade.

           

Escrito por Lucky Girl às 20h27
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Eu não espero que ninguém entenda a minha cabeça ou os meus sentimentos, porque esta é uma tarefa árdua que nem eu, que me conheço e convivo comigo mesma há 26 anos, consegui ainda fazer. Então, não espero que não me julguem pelas minhas idéias descabidas, não espero que entendam os meus sentimentos contraditórios, não espero que aceitem minha existência paradoxal, não espero que leiam meus pensamentos. Mas eu queria.

 

Queria que uma pessoa surgisse na minha vida, e que esta pessoa lesse os meus pensamentos. Pra entender todos os meus “quero mas não quero”, pra deslizar mais fácil minha vida adentro, pra saber como me levar. Queria que esta pessoa aceitasse minha existência paradoxal, pra não levar a mal os meus “oito ou oitenta”, pra compreender minhas indecisões, pra não deixar que a minha lua em gêmeos comprometesse sua visão de mim. Queria que esta pessoa entendesse meus sentimentos contraditórios, pra não se ofender quando eu disser que não quero vê-lo porque quero ficar em casa sozinha, mas ligar de 5 em 5 minutos dizendo que estou com saudades e que não vejo a hora de nos reencontrarmos... Queria que esta pessoa não me julgasse pelas minhas idéias descabidas, pra tirar suas próprias conclusões a meu respeito, pra me conhecer no meu dia a dia, pra me ver sem as máscaras que eu costumo adotar por essa vida de meu Deus...

 

Algumas vezes penso que conheci essa pessoa... Mas a vida é como a vida é, e quando eu digo que o momento era errado, digo do fundo do coração, sem falsos equívocos, sem tentar me consolar por não ter sido boa o suficiente, sem tentar me convencer de que ex-mulher e filha são assuntos mais importantes do que um affair de academia. Tudo isso eu já deixei para trás. Tudo na vida são circunstâncias, que falam por si só. E quando não existem as circunstancias propícias, tudo não passa de lamentações.

 

E as circunstancias eram as menos propícias possíveis. E eu entendi. Perdoar não perdoei, porque minha natureza demasiadamente humana não me permite ser tão benevolente. E algumas vezes me pergunto se não é isso que falta, que eu o perdoe, que eu perdoe o fato de ele ter me convencido de que éramos o melhor um para o outro, que eu perdoe o fato de ele ter mudado de idéia quanto a dividir vitórias e conquistas comigo.

 

Mas as vezes fico pensando porque é que eu insisto em ressuscitar este fantasma... Todas as vezes que eu não recebo o que quero, todas as vezes em que me decepciono, todas as vezes em que a realidade se apresenta cruel e longe demais das minhas fantasias, tal como uma psicótica, refugio-me na grande ilusão e delírio chamados Juliano...

 

Alguém me faça uma lobotomia...

 

 



Escrito por Lucky Girl às 22h49
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Uma coisa engraçado sobre nós, seres humanos, é a nossa ilusória idéia de que viveremos para sempre. Claro, sabemos que um dia a vida vai acabar; mas é incrível como evitamos entrar em contato com esta verdade. Com a única certeza que temos em nossas vidas.

            Achamos que sempre teremos tempo para viver o que não vivemos hoje, para fazer o que não fizemos até agora. Adiamos nossos planos, deixamos para depois o ato de tomar decisões difíceis, de encerrar relações, de fazer as pazes, de dizer que estamos tristes ou apaixonados. Deixamos pessoas especiais passarem por nós e sumirem de nossas vidas, sempre pensando que teremos o amanhã para nos dar conta dos erros e corrermos atrás do prejuízo.

            Evitamos, o tempo todo, enfrentar a única verdade que existe desde que o mundo é mundo: que o tempo passa, que a idade chega, que as rugas são inevitáveis, e que o dia em que deixaremos este mundo também chegará um dia. Se tudo der certo, morreremos com idade, dormindo, para não sentirmos dor. Mas nem sempre é assim. Ás vezes acidentes acontecem; algumas pessoas adoecem e partem ainda muito jovens. Outras têm um descontentamento tamanho com a própria vida que tomam a iniciativa espontânea de abandonar esta existência.

            Combatemos o tempo como se ele nos fosse um inimigo. Usamos cosméticos rejuvenescedores cada vez mais cedo. Mulheres não envelhecem, ficam loiras. O número de homens que pintam os cabelos quando estes começam a ficar grisalhos também é cada vez maior. Homens e mulheres correndo atrás do tempo perdido, mais do que por uma questão estética, por uma questão de simples sobrevivência. Que espaço o mundo tem para os velhos?

            Crescemos e nos tornamos adulto com esta certeza: a de que viveremos para sempre, que a morte nunca chegará e que podemos fazer o que quisermos hoje, pois sempre haverá o dia de amanhã para consertar nossas burradas, que sempre haverá tempo para nos arrependermos, que sempre haverá um amanhã, ou um depois de amanhã, para sermos felizes. Isso é mentira.

            Outro dia estava assistindo um filme com a minha irmã, a respeito do qual ela precisava fazer um trabalho para a faculdade. “Aproveite o dia” era a moral da história. Peguei-me a pensar sobre o significado destas três palavras. Aproveitar o dia é uma coisa difícil. Aproveitar o dia não significa que tenhamos de ser irresponsáveis na busca incansável pelo prazer. Não significa que as ações não impliquem em reações e que não tenhamos de assumir as conseqüências de nossas atitudes de forma responsável. Mas este pensamento, esta filosofia de vida ensina que às vezes o melhor momento de nossas vidas é o hoje.

A cada dia, um novo mundo nasce. A cada dia, as esperanças se renovam, milhares de pessoas nascem e milhares delas morrem. A cada dia pessoas se encontram, se reencontram e se afastam. A cada dia amizades são feitas, outras desfeitas. O dia de ontem já passou e acabou, não há nada que possamos fazer a respeito. O amanhã ainda não chegou, e por isso não temos outra alternativa a não ser esperar; e enquanto esperamos, vivemos o dia de hoje.

Aproveite o dia. Aproveite cada dia de sua vida como se fosse o primeiro e o último; muitas vezes o é. Aproveite cada dia de sua vida, procure apenas se recordar do ontem e sonhar com o amanhã. Aproveite cada dia da sua vida como se você nunca houvesse tido um outro dia. Como se nunca houvesse vivido antes. Faça tudo o que acha que deve fazer exatamente agora.

            Este é o momento. 



Escrito por Lucky Girl às 13h12
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De repente me aparece essa pessoa... Assim, como quem não quer nada... Uma pessoa que já chamava a minha atenção em fotos quando com ele eu me deparava:

“Quem é esse cara que ta em todas as fotos?”

“Ah, vc vai conhecer, ele é uma figura...”

Figura é pouco, o cara é um barato... E insistente, já que me chamava pra sair há mais de dois meses. E eu, desconfiada, pé atrás que só eu, sempre reticente...

“Ih, já vi tudo... Já ficou com todas...”

E realmente acho que ficou mesmo. Mas quem sou eu para julgar? Quem sou eu para apitar o que fazem ou o que deixam de fazer? Eu, que cada hora penso uma coisa? Que cada hora quero uma coisa diferente?

Resolvi tirar onda... Resolvi dar brecha... Resolvi atiçar, e como toda boa escorpiana sei que faço isso muito bem, obrigada.

“E aí, quando vamos sair?”

“Um dia desses, quem sabe...”

Mas era só ele se afastar um pouco e lá eu ia,

“Nossa, acho que sonhei com você hoje”

“Sonho bom ou sonho mau?”

“Aí vc já ta querendo que eu me lembre de muita coisa”...

Bem assim, desse meu jeito de quem se acha, quando eu quero ser assim. E eu sei que sou boa nisso, afinal, são anos de prática na arte de fingir não me importar com os outros. Dois meses de conversa e convites constantes pelo msn, chegou a hora... E como toda hora sempre chega eu estava assim, em casa, numa tarde chuvosa e irritadiça, com vontade de ir ao cinema...

“Vamos no cinema hoje?”

“Leu meus pensamentos”

“E onde vc quer ir?”

“Essa é fácil, tem um cinema do lado da minha casa”.

E ele saiu de Santo André e veio até aqui... E fomos ao cinema. E algo, que não sei o que era, me obrigava a deitar a cabeça no ombro dele... Uma vontade há tempos reprimida, uma vontade que não tinha vazão a muito tempo. Uma vontade de pegar a mãe dele e fazer cafuné na minha cabeça, uma vontade de guardar aquele perfume nas minhas narinas... E quando vi, ele me fazia cafuné, minha cabeça criou vida própria e se encostou no ombro dele. E, pela primeira vez em anos, assisti a um filme de mãos dadas...

Depois fomos na casa de um amigo em comum. A mãe do amigo é dessas tias saidinhas, que não tem vergonha de perguntar e nem receio de ser inconveniente.

“Ta namorando com ela, é?”

“To querendo, tia... Mas ela escolhe demais... Tsc, tsc, tsc”...

Como é que me conhece tanto? Olho para a boca dele e tenho certeza de que o beijo é bom, daqueles que encaixam... Daqueles beijos que se sabem beijar antes de qualquer coisa...

Ele me leva em casa e quando o trânsito pára, vem na minha direção com o sorriso no rosto. Eu sinto uma pontada na barriga, um frio no estômago... O beijo é aquele mesmo, de duas linhas acima... E quando ele encosta o carro na porta do meu prédio, me puxa com força e me dá mais um beijo... E eu gosto...

Entro em casa, mensagem no celular, ele já está com saudades. E mais tarde ele me liga, a saudade ta aumentando. Eu durmo e sonho com ele... E acordo feliz, lembranças do dia anterior a toda na cabeça, vontade daquele beijo de novo, daquele perfume de novo, daquele cafuné de novo.

E no dia seguinte a mensagem é de dez pras seis da manha, hora em que ele acorda. E logo vem a pergunta,

“Quero te ver hoje, posso?”

“Pode... Claro que pode... Que pergunta...”

É cada uma...



Escrito por Lucky Girl às 17h43
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Ultimamente ando um pouco irritada. E detesto quando fico assim, porque conheço meu gênio e sei bem que acabo descontando nas pessoas. Afe, as vezes sou insuportável.

Mas a verdade é que até agora não consegui entender direito os motivos da minha irritação. Acho que é um misto de várias coisas... Cansaço - porque não tenho final de semana há 1 mes já - mais desejos - nunca tive tanta vontade de sumir do mapa, de pegar uma mochila e sair pelo mundo, conhecer vinte países em um mês - misturado com um estado popinha de ser - não adianta, não tenho conseguido comer direito, acho que dei uma engordadinha básica - somado a uma boa dose de solidão.

Solidão... Acho que é sobre isso que queria falar hoje... Porque é fato que tenho me sentido muito só. E minha solidão não pode ser medida e nem expressa em palavras, pois não é aquela solidão de falta de amigos, programas ou coisas legais. É uma solidão intrínseca, parece que uma parte do meu coração se perdeu e está num outro lugar, distante léguas de mim...

Eu sempre tive essa vontade, de conhecer um ser tipo xerox autenticado de mim mesma. Uma pessoa que tivesse os mesmos objetivos de vida que eu, que quisesse mais ou menos as mesmas coisas, que esperasse da vida coisas como eu espero, que desejasse que a vida fosse como eu desejo. Tirando a parte "Cinderela" de mim que existe nisso tudo, sempre acreditei que existisse uma pessoa assim no mundo.

Mas de repente... Puxa, páro prá pensar no ritmo que minha vida tá tomando, nos desejos desgovernados que ando tendo, cada hora querendo um cara diferente, e quando tenho, vejo que não era nada daquilo... Ao mesmo tempo desejando um amor maior, maior que eu... Uma pessoa que me motivasse a ser mais feliz, mais produtiva, mais dedicada, mais magra... E de repente vejo que, salvo uma ou outra coisa, não preciso de ninguém que me motive essas coisas, por que eu mesma tenho me motivado...

Fico pensando em mais de uma sessão que tive com minha ilustríssima, em que ela me apontava o quanto eu me encontrava aprisionada pelo olhar do outro... Esperando sempre que os outros fizessem por mim coisas que eu não conseguia, que os outros me desses força prá ser aquilo que eu não conseguia ser por mim só. Hoje percebo que estou em um estado diferente de desenvolvimento... Porque a opinião dos outros me importa, sim. Mas não mais do que a minha própria.

E tenho consciencia dos meus esforços constantes prá fazer por mim aquilo que espero dos outros. Tenho encarado até a minha dificuldade de emagrecer por esta ótica. Porque a minha motivação para ser magra sempre foi o olhar do outro, que não me aprovava, que não me julgava boa o suficiente, que me criticava. E hoje, olhando o outro lado da moeda: O QUANTO É REALMENTE IMPORTANTE PARA MIM, SER MAGRA? Se eu acho tantas pessoas gordinhas bonitas, se eu chego a me interessar por elas, se chego a sentir tesão por um homem obeso... O quanto me incomodo com minha própria gordura?

Me incomodo sim... Mas não o suficiente para me privar de coisas gostosas da vida e me restringir apenas ao franguinho e salada nosso de cada dia...

Comecei na solidão e acabei na comida... Acho que to precisando ir prá praia...



Escrito por Lucky Girl às 15h46
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Oi lindo, tudo bem?

Comigo ta tudo ótimo, o feriadão no NR foi demais, cansativo, mas muito legal, me diverti pra kct! Tinha uma galerinha da temporada lá. Fiquei no Poente com as mulheres de 41 a 80 anos, umas fofas, a única coisa é que vc não imagina os roncos á noite... Era uma coisa, não era nem ronco, era respirar pelos ouvidos... Ahahahaha...

Mas enfim, não é pra escrever sobre o feriado que to aqui. Então acho que vou direto ao ponto!!!

É o seguinte... Pensei pra kct na gente nesse feriado, e acho que queria te dizer algumas coisas... Sei lá, eu sei que por ser mais velha e tal, como mulher moderna e etc, eu deveria ser mais independente e auto-suficiente e supostamente não deveria esperar certas coisas de um cara. Mas eu espero.

E desculpa, mas eu espero que depois de quase transar com um cara (se é que podemos considerar o que rolou como um “quase”), o cara me ligue no dia seguinte... Ao menos mande uma mensagem de texto, ainda mais depois de termos conversado justamente sobre expectativas na quarta quando vc veio aqui em casa. Eu sei que tem gente que acha tudo isso antiquado e babaca, mas pra mim faz toda a diferença... E de repente a sua atitude me pareceu muito de descaso, ou de indiferença, sei lá.

A verdade é que eu tinha expectativas muito diferentes em relação á sua volta. Eu esperava que a gente ficasse mais próximos, se não desse pra ser fisicamente, que fosse “emocionalmente”, que a gente se falasse mais, pra colocar em prática tudo aquilo que a gente conversava, de convivência e etc. Esperava que fosse mais, e não menos do que quando vc tava na Holanda. Mas nada disso aconteceu... E quando conversamos sobre isso na quarta, e vc disse que também tinha ficado decepcionado porque quando voltou esperava que eu estivesse em sampa e não no NR, logo depois me disse que entendia e que não queria que eu tivesse deixado de viajar e de fazer algo importante para mim por sua causa.

E eu concordo... Da mesma forma que eu não quero, nem em sonho, que vc deixe de fazer o que quer que seja por minha causa. Sei que vc vai dizer que eu nem imagino como a sua vida ta corrida, que vc nem sabe onde vai morar e que ta correndo atrás das suas coisas. E eu entendo! Juro que entendo! E de forma alguma quero cobrar o que quer que seja de você, como eu te disse naquele dia, detesto cobrar assim como detesto ser cobrada.

Mas eu não posso deixar de pensar no que é importante para mim e no que me faz bem... E atenção, uma mensagem de texto, uma ligação, nada disso custa caro e nem faz perder tempo. E pelo pouco que eu acho que te conheço, acho que se vc tivesse a fim de dar essa atenção, vc daria. Assim como vc arrumou tempo de ficar trocando N mensagens de texto comigo no dia que vc tava pra viajar... E que dia poderia ser mais corrido do que esse?

Eu entendo toda a sua correria, todo o ritmo que a sua vida agora ta adquirindo, entendo pq a minha não ta muito diferente. Mas sei lá, não quero tentar fazer focinho de porco virar tomada, porque não vira não... Acho que diante disso tudo, a gente devia tentar manter uma amizade... Gosto pra kct de vc e não quero nem em sonho deixar de falar com vc ou de me relacionar contigo... Mas acho que não é o momento, nem seu e nem meu, de tentarmos ser algo a mais um para o outro. Na verdade o que eu sinto é que durante o tempo que vc ficou viajando, nossa relação foi de sonho... Porque é fácil vc dizer coisas a distancia, pela internet, sem ter o “olho no olho” envolvido. Mas quando vc voltou, eu realmente sinto que algo se perdeu, que as coisas ficaram esquisitas e eu não acho que isso tenha algo a ver com o fato de eu não estar em sampa qdo vc voltou. Acho que na verdade eu fui um apoio, uma pessoa com quem vc falava e que te dava suporte e que te dizia que vc fazia falta (e realmente vc fez).

Mas na vida real, atitude é muito mais do que uma palavra, “fazer acontecer” é muito mais do que uma expressão e demonstrar o que quer que seja tem que ser mais do que mera intenção... E convenhamos, estamos deixando a desejar...

Sei lá, é a minha opinião, e eu não queria que vc ficasse chateado ou bravo comigo por estar te dizendo tudo isso, se vc discordar de alguma coisa estou super aberta e receptiva pra conversarmos... Mas se tem uma coisa que eu sou é sincera, e não poderia deixar de te dizer tudo isso, se é isso que eu to pensando.

Te adoro muito, muito, mas muito meeeeeeesmo!!!

Mil beijos, e se cuida...

F.

Escrito por Lucky Girl às 15h37
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Olha só... Você não pode agir assim, não comigo, não com essa Lucky Bitch aqui. Quem te deu o direito de entrar na minha vida, bagunçar tudo, e de repente simplesmente sair de fininho, banquinho debaixo do braço? Não, isso não está certo, tsc, tsc, tsc.

 

Eu sempre vivi muito bem sem você, e é assim que vai continuar sendo. Não, não sou mais uma dessas bobinhas que pensavam que vão morrer se você não ligar. Muito pelo contrário. Ta a fim de desencanar? Fecha a conta e passa a régua, mas pleaaaase, o faça como um cavalheiro, não fique nessas de dizer que me mandou mensagem e eu não respondi, que eu não te liguei. Porque isso é babaquice, serve só pra essas menininhas de 18 anos com as quais você deve estar acostumado.

 

Já houve um tempo em que eu me perguntava, afinal de contas, porque é que eu não era boa o suficiente pras pessoas. Quando penso nisso me dá vontade de chorar, ou de rir, da minha pequenez e ingenuidade. Não, gato, muito pelo contrário, hoje eu vejo que nenhum homem que apareceu na minha vida até hoje foi realmente bom o suficiente para me ter ao lado.  Bem, houve apenas um que eu acho que poderia ter sido, se ele quisesse... Mas não topou o desafio? A fila anda. Não existe uma só linha de ônibus, thanx god.

 

Isso não é exercício de autoconfiança não, é a pura realidade. E eu sou uma puta mulher pra alguém ter do lado. Sou a maior parceira que alguém pode ter. Sou determinada, sou mulherão mesmo, papai e mamãe me fizeram assim, e nada vai me mudar. Falo alto, rio alto, eu SOU ALTA!! Não envergo as costas pra ficar da altura de ninguém. Que fiquem nas pontas dos pés.

 

Eu vou continuar por aqui, mesmo numero de telefone, mesmo endereço, cabeça erguida, narizinho às vezes em pé, sangue quente correndo na veia. Algum dia a gente se encontra, e isso não demora... Mas quando me encontrar, por favor... Me olha nos olhos e diz a si mesmo que você é um babaca que preferiu sumir sem deixar vestígios a me encarar e dizer o que tava sentindo. Não abaixa essa sua cabeça, não dá esse seu sorrisinho de canto de boca que fascina as menininhas por aí, porque isso vai me dar raiva e vontade de gritar com você.

 

Olha, espero que você seja feliz, que viva a sua vida e que encontre alguém realmente especial e feito sob medida pra você. Não fui eu... Paciência. A vida continua. Entre mortos e feridos, sempre salvam-se todos. Mas às vezes pegam seus botes salva vidas e remam em direções opostas...

 

É uma pena... Mas você? Ah, você não vale à pena...



Escrito por Lucky Girl às 16h11
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Sonhos. Sonhos e Desejos, tudo o que há dentro de mim. Pelo que eu espero nem eu sei, mas sei muito bem o que eu quero. Respeito, amor... Antes que venham dos outros, que venham de mim mesma.

 

Um dia alguém me disse que “tudo pode ser, só basta acreditar, tudo o que tiver que ser será”, e eu acreditei e continuo acreditando que tudo o que eu realmente quiser nessa vida, se eu me dedicar e me esforçar, vou, sim, conseguir.

 

Fé. Essa é a palavra-chave para tudo nessa vida. Sem ela, você desiste de tudo no primeiro obstáculo, no primeiro tropeço, na primeira chafurdada que a vida te der. Com fé, as dificuldades se transformam em apenas buracos, pelos quais, para passar, há de se diminuir a velocidade. Mas nunca em barreiras intransponíveis.

 

O homem sem sonhos e sem fé é um homem morto. Uma carcaça que perambula pelo mundo, vazia, oca, sem forma e nem perfume. Vive uma vida vazia, pois não possui nada para preenchê-la. Garra sem sonho é desperdício. Garra sem fé é puro desgaste.

 

A força para se continuar lutando vem de dentro para fora. Um dia a gente aprende a buscar o fortalecimento interno, ao invés de implorar pelas bengalas externas. As bengalas estão à mercê dos intempéries da vida, e podemos contar apenas com nossos próprios recursos. Que continuam conosco onde quer que iremos.

 

Nem sempre é fácil buscar essa força... O caminho é tortuoso e, muitas vezes, sem nenhum tipo de cinto de segurança. Só com a vivência, só com as experiências da vida é que vamos-nos tornando capazes de reconhecer, dentro de nós mesmos, os nossos valores. E então nos damos conta de que somos pessoas especiais, e que nossa passagem por este mundo tem um motivo.

 

E quando aprendemos que o aprendizado não acaba nunca, nos tornamos humildes e passamos a agradecer por cada lição, seja ela boa ou ruim, seja ela fonte de alegria ou de sofrimento. Todas as pessoas que cruzam nosso caminho se tornam, de uma forma ou de outra, professores dedicados, que não descansam enquanto não aprendemos a lição da qual tanto precisamos. Precisamos sim, para nos tornarmos seres humanos melhores, mais fortes, mais crentes e esperançosos.

 

A dor é parte do processo de transformação, sempre necessário... Mas a gente sempre supera, a gente sempre cura as feridas, por mais que tenhamos de nos comportar tais como cachorros feridos, que se escondem na casinha enquanto lambem as feridas.

 

E quando chegamos ao final da jornada, percebemos que o pote de ouro é apenas e tão somente uma metáfora... Uma metáfora das paisagens belíssimas que pudemos avistar enquanto cruzávamos o arco-íris de nossas vidas...

 

 



Escrito por Lucky Girl às 14h55
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Eu sou:

Complicada, geniosa, tenho mania de querer estar sempre certa. Comunicativa, extrovertida, confiável, sincera, um pouco irritada com a burrice das pessoas, um pouco assustada com a imprevisibilidade das pessoas, muito apaixonada pela sensibilidade das pessoas. Fiel, muito amiga e leal, sempre disposta a ajudar. Às vezes tenho siricoticos se minhas coisas não estão nos lugares onde deveriam estar. Sempre tenho siricoticos quando estou muito feliz, choro de alegria com a mesma facilidade que choro de tristeza.

Já fui mais complicada e mais geniosa, e hoje em dia aceito que nem sempre estou certa. Pedir desculpas se transformou em uma habilidade pessoal. Analizada há 8 anos, sento todas as semanas na frente da minha analista e rôo as unhas enquanto ouço tantas verdades sobre mim mesma quando posso suportar (ups, preciso ligar para a minha ilustríssima e avisar que não poderei ir nesta semana).

Era muito preguiçosa e já estive muito estagnada. Hoje em dia trabalho tanto quanto aguento, mas estou tão apaixonada pelos meus empreguinhos (e são 3!) que troco uma balada por trabalho, se for preciso para conciliar tudo. Sou muito sortuda! Estudei uma profissão que me possibilita fazer de tudo um pouco, e sou apaixonadésima por absolutamente tudo o que faço.

Preciso voltar para a academia... resolução prá semana que vem, sem falta! Perco contsnatemente as horas de fazer as coisas. Só essa semana (e ainda é terça-feira!) já perdi 3 horas: a hora de acordar, a hora de tomar remédio e a hora de começar a cozinhar pro aniversário da minha irmã.

Sou absolutamente apaixonada pela minha pequena e amalucada família... Brigo com todos, muito! Mas acredito que a gente só briga mesmo com quem a gente ama, pq não vale a pena brigar com quem não se gosta. Não gosto de muito poucas pessoas, entre elas o Bush e o imbecil do Bin Laden, que deveria ter tacado aquele avião na Casa Branca, e não ter matado tantas pessoas inocentes.

Amo ler, sou apaixonada pela leitura. Um dia serei escritora. Adoro escrever quase tanto quanto amo comer, o que me faz passar muitas horas por semana rabiscando palavras sem sentido. Odeio conformismo e acomodação. Detesto auto-piedade e comiseração. Não suporto gente falsa, hipócrita e duas caras. Não aguento pessoas que nunca tem uma opinião consistente sobre alguma coisa importante.

Adoro que me tatuem. Não sei se um dia eu vou parar. São sete, por enquanto, e já cheguei num ponto de começar a arrumar as antigas prá não desembestar em fazer nova. Não consigo nem pensar em fazer piercing. Tenho aflição de pus, inflamação, coisas melequentas e nojentas. Não tenho paciência prá curar machucados, acho que água e sabão são a cura para quase todos os males físicos. Mas não hesito em tomar remédio prá enxaqueca se eu tiver a mais fraca dor de cabeça, por precaução.

Precaução é a palavra de ordem, mas depois de derramar o leite, não choro mais por ele. Para o que não tem remédio, remediado está, e eu sigo em frente. Vou atrás do que quero, se eu não conseguir, não foi por falta de tentativa. Não acredito que alguma coisa consistente na vida venha de graça. E por isso eu sigo em frente, cabeça erguida, mesmo que algumas vezes de coração machucado.

Sou compulsiva e acho que nunca vou deixar de ser. Compulsiva na alimentação, compulsiva na emoção, compulsiva nos meus desejos. Já fui mais encucada e hoje sou mais tranquila. Tudo tem seu tempo, e enquanto a gente muda, o mundo muda com a gente. E eu estou sempre mudando, sempre me metaforseando.

E não me peçam prá ser vento, se sou tufão.



Escrito por Lucky Girl às 11h19
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Corridinha, corridinha...

Nossa, quando páro para pensar que já estamos em março, me dá um nó no estômago. Tem até uns cientistas estudando o fenômeno de que o tempo parece estar passando mais rápido. Pra mim ele não tem passado, ele tem voado! Acho que o fato de não ter tido férias esse ano - trabalhei janeiro inteiro non-stop, num acampamento - me dá essa sensação de irrealidade quando penso que já se passaram 3 meses desde o reveillon.

Acho que na verdade estou me readaptando à rotina de uma pessoa "normal". Porque desde que comecei a atender em consultório - para quem não sabe, sou psicóloga - que tinha meus horários muuuuuito tranquilos. O máximo que cheguei a atender foram 7 pacientes por semana, o que dá no total 7 horas atendendo + 1 hr de supervisão por semana. Mas no final do ano passado comecei a me desinteressar da área clínica, é um trabalho honroso porém extremamente solitário. Não almejo para o meu futuro passar 10 horas por dia sentada, ouvindo uma pessoa falar.

Então, no final de ano passado, assumi mais dois trabalhos: num acampamento e um projeto do governo, na área de interação Homem-Computador (engenharia de software). Nada a ver com a minha formação, mas to muito animada, e disposta até a perder umas horinhas de sono se for preciso. Se eu não for trabalhar bastante agora, quando vai ser???

Mas o fato é que acabei de voltar de uma reunião agora, e acabei de saber que vou amanhã pro acampamento e só volto na sexta, e depois vou na páscoa de novo. Por isso terei que correr com os outros compromissos profissionais, de modo que ficarei um pouco distante daqui por uns tempos, podendo apenas postar, mas sem visitar todas! Espero que não me abandonem!!!



Escrito por Lucky Girl às 13h28
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Como é difícil não descontar na comida!!!

 

Não tem coisa mais difícil do que assumir seus problemas sem usar nenhuma bengala. Brigas em família, problemas amorosos, dificuldades financeiras, crises no trabalho. Não podemos reclamar, todas nós sabemos que o mundo tem problemas.

 

Mas o mais difícil, para mim, é não poder descontar na comida. Na minha vida eu tive problemas, como todas vocês; mas também, a vida inteira, venho descontando na comida. Claro que não resolve nada, muito pelo contrário, isso só me fez mal.  Mas é muito difícil deixar de usar essa “bengala”... Porque a primeira idéia que me passa na cabeça, quando me deparo com alguma dificuldade, é um numero 1 do Mc Donald´s.

 

Admito, sou uma comedora compulsiva! E esta sempre foi a bengala na qual apoiei minha “perninha” manca. No meu caso, a dificuldade em lidar com meus sentimentos. Pois sempre tive muita dificuldade em saber o que eu sentia. Raiva, tristeza, frustração, arrependimento, tudo isso eram apenas sentimentos ruins, que eu não conseguia diferenciar entre si.

 

Foi um processo muito doloroso esse meu, de aceitar meus sentimentos. E aceitar que eu não era perfeita. Que eu errava, como todos; que não era um monstro só porque sentia raiva de alguém; que sentir inveja de algo não significava desejar que este algo explodisse; que sim, era possível amar e odiar uma pessoa ao mesmo tempo.

 

De lá para cá muita coisa mudou dentro de mim. E quando eu digo que “não posso” , não digo isso num sentido de estar sendo proibida. Não posso porque não consigo mais me enganar. Hoje em dia, sabendo do que sinto, me posicionando quanto ao sentimento e identificando a raiz do problema, fica difícil acreditar que se-eu-não-come-uma-panela-de-brigadeiro-vou-morrer. Não, eu sei muito bem que isso só vai me trazer mais problemas depois. Que vou me sentir estufada, inchada, feia e infeliz.

 

Mas tem vezes que eu chego a sentir falta dessa época em que um bombom alpino era a diferença entre me sentir bem ou mal (enquanto comia). Era um alívio tão grande que eu sentia naquela hora, em que me empanturrava. Não sentia nem o gosto da comida, mas também não sentia mais nada: nem frustração, nem tristeza, nem desapontamento. Comendo eu me anestesiava...

 

Por outro lado, também não resolvia problema nenhum. Os problemas iam se somando, eu ia empurrando com a barriga, e tudo virava um circulo vicioso: quando percebia que tudo tinha dado errado, comia mais pra não entrar em contato com a tristeza. E foi assim que fui engordando.

 

Mas o que acontece é que eu to cheia de pepinos no trabalho, querendo estrangular dois ou três, batendo com a cabeça no computador e já quase sem cabelos... e minha mãe acabou de me dar um bom bom alpino...

 Ah se ele resolvesse alguma coisa...



Escrito por Lucky Girl às 21h04
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Ontem tive uma recaída no meu projeto “resgate de auto-estima”. Tava demorando. Não que eu esteja com uma predisposição negativa a ele. Mas eu sabia que o caminho não seria só flores.

 

Tudo começou de manhã... Quem leu meu post de ontem sabe que já de manhã eu me sentia estranha. Tava desanimada, meio “murcha”. No decorrer do dia as coisas só foram piorando... Fui malhar na hora do almoço na esperança de encontrar com o cara de quem falei ontem, mas ele não estava lá. Durante a tarde várias coisinhas foram acontecendo... E pra completar, a empregada fez enroladinho de salsicha e eu não pude resistir: comi 4, mas na hora do almoço, e mais nadinha.

 

Á noite tive um aniversário em um barzinho, e aí já era... Sou daquelas que não conseguem ir num barzinho e não tomar alguma coisinha. Mas uma coisinha puxa outrinha, e quando eu vi, já estava meio alegrinha, e como tinha comido muitas horas antes, ataquei uma porção de batata frita (daquelas com parmesão e bacon, pra melhorar a situação) que estava dando sopa em cima da mesa... E quando cheguei em casa, lá se foram mais 4 enroladinhos...

 

Acordei com a consciência pesadinha, mas sem deixar que isso abata a minha confiança de que hoje será um dia diferente. Por isso já comecei a controlar mais, logo no café da manhã. Geralmente acordo com muita fome, porque evito comer muito à noite. Mas depois da “orgia alimentar” de ontem, acordei me sentindo empanturrada. Então comi duas fatias de abacaxi e uma fatia de queijo branco. Acabei de chegar em casa e estou simplesmente faminta, esperando pelo almoço!!!

 

Vou ser mais contida na alimentação hoje, sei que já dei uma “secada” de sexta-feira para cá e quero continuar no mesmo ritmo. Hoje vou pro boxe de novo à noite, e quem sabe jantar num japonês, to morrendo de vontade!!! E assim vamos tocando.

 

Queria agradecer os comentários que tenho recebido, a força de todas é a força de cada uma, e assim me sinto mais fortalecida. Mas estou triste, porque ainda são poucos, muita gente da “velha guarda” dos blogs sumiu, tem muita gente nova que eu ainda não conheço na área... Então, quem entrar aqui e der uma olhadinha no meu cantinho, deixe seu comentário! Estou linkando aqui do lado o pessoa que pinta por aqui, e até pedi pra Beth dar uma força pra mim lá no blog dela... Já experimentei uma vez a força da blogsfera e adoraria conhecer gente nova por aqui!!!

 

Que todas tenham um ótimo dia J

Escrito por Lucky Girl às 12h26
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Hoje acordei me sentindo realmente estranha... Com o pensamento longe... Apesar do sol lá fora e do céu profundamente azul, sinto como se houvesse uma parte de mim de cor cinza chumbo, que chove e chora.

 

Ontem eu me dei conta de como ainda não me esqueci... De como eu ainda não superei. De como ainda não passei por cima do que eu vivi com ele, e mais do que eu vivi, do que eu queria ter vivido e não pude. Forças do destino, ou como diz uma amiga minha, simplesmente não somos capazes de forçar alguém a sentir o que quer que seja pela gente. E não deixo de pensar no quanto isso é injusto.

 

Sim, pois as pessoas deveriam ter um manual de instruções... que nos ensinasse como agir quando delas queremos algo, como proceder quando elas nos frustram, o que fazer quando as coisas saem fora do esperado. Se eu fosse algo semelhante a Deus, ou se ganhasse poderes sobrenaturais por apenas um dia, trataria de ler a cabeça das pessoas... E decoraria tudinho e passaria a limpo, como eu fazia com os meus cadernos na época de escola. E toda vez que tivesse dúvidas de como agir com elas, faria uma pesquisa nessa material.

 

Por mais que eu tente, não consigo me conformar que, por mais que hajamos corretamente, por mais que nos esforçamos e batalhemos muito uma coisa que desejamos, que esforço e dedicação não são garantias de que conseguiremos aquilo que almejamos. E eu não consigo acreditar que a nossa história realmente acabou, que talvez nunca tenha chegado a existir, não em um lugar outro que dentro da minha cabeça.

 

Acredito que, de certa forma, venha daí a minha falta de confiança no que meus olhos vêem. O que é que lhes assegura que algo é realmente preto, ou branco? Seus olhos? E se eles, de repente, deixassem de lhes transparecer segurança? E se vocês descobrissem que seus olhos não são mais fontes seguras do que quer que seja? O que vocês fariam? Onde buscariam segurança? Em que passariam a acreditar?

 

Ao mesmo tempo penso o quanto é injusto comigo mesma atribuir tanto significado a uma pessoa que nem se deu ao trabalho de se despedir de mim, ao final da jornada. O quanto eu me desrespeito, colocando esse homem em um patamar tão elevado. O quanto eu me permito magoar todas as vezes em que repasso, na minha cabeça, todas as conversas que tivemos...

 

Mas eu prometo que vou virar essa página... E é por isso que hoje eu vou encontrá-lo. Libertação ou redenção, o que vier será aceito. Mas eu preciso saber. Saber o que eu sinto ao vê-lo. Ao ver-me observada por ele. Preciso saber se eu realmente não o esqueci, ou se permaneço presa a ele pelo simples medo de viver o novo... Pela simples realidade conhecida de sofrer por ele.

 

Como diria minha ilustríssima analista, às vezes é preciso tirar um pouco as coisas do terreno da fantasia e confrontá-las na realidade. Aguardem notícias...

 

PS: Nem acredito que, depois de 3 meses de descontrole total, estou dentro do meu programa “resgate de auto-estima” desde sexta-feira... Nem no final de semana fiquei mais relaxada. Voltei à academia ontem pra aula de TaeFit, depois de muito ficar naquele “vou-não-vou”. Hum... já me sinto mais magra?

Escrito por Lucky Girl às 10h22
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